Em nome de Deus? Igrejas vão coletar assinaturas para partido de Bolsonaro

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Com informações de O GLOBO – Com pouco menos de quatro meses para ser criado a tempo das eleições municipais de 2020, o Aliança pelo Brasil, futuro partido do presidente Jair Bolsonaro, encontrou forte apoio de lideranças evangélicas na tarefa de coletar as 491 mil assinaturas exigidas para lançar a legenda. Do presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), bispo Robson Rodovalho, ao presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Silas Câmara (Republicanos-AM), religiosos de distintas denominações estão dispostos a apoiar o processo de formalização da nova sigla. Segundo informou a colunista Bela Megale, os bolsonaristas apostam também no apoio dos militares para a coleta das assinaturas.

Ao GLOBO, Rodovalho disse que o presidente Bolsonaro “merece essa ajuda”. Líder da Sara Nossa Terra, denominação com 2 milhões de fiéis em 1,2 mil templos no país, o bispo informou já ter sido procurado por um mensageiro do partido, e que uma das estratégias será atrair apoio durante os grandes eventos da igreja.

Na Sara Nossa Terra, as maiores aglomerações de fiéis acontecem em janeiro e fevereiro, incluindo o chamado “carnaval evangélico”, evento com shows de música gospel que reúne milhares de participantes.

— Vou ajudar. Estou à disposição. A visão que o presidente (Bolsonaro) tem pelo Brasil merece esse gesto de apoiamento — afirmou Rodovalho, que recebeu O GLOBO em sua igreja em São Paulo, na última segunda-feira.

O Aliança pelo Brasil anunciou, no último domingo no Twitter, que começará nesta semana a coleta de assinaturas para sua fundação. O desafio é justamente o prazo curto no calendário: a sigla precisa de todas as assinaturas até 4 de abril do ano que vem para ter o registro homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e assim lançar candidatos aos cargos de prefeito e vereador.

Outras conversas

Rodovalho disse que conversou com outras lideranças que também se colocaram à disposição para ajudar:

— Conversei com alguns líderes que se disponibilizaram. Não são muitos, mas não encontrei ninguém reticente. Eu acredito que a Assembleia de Deus, do pastor Silas Câmara (deputado federal do Amazonas pelo Republicanos), também faria com bom coração.

Silas Câmara diz que, se convocado para ajudar na criação do Aliança, vai trabalhar a favor da coleta. Irmão do pastor Samuel Câmara, que dirige a igreja Assembleia de Deus de Belém, Silas afirmou que não vê problemas em auxiliar na coleta de assinaturas, e que vê boa vontade das lideranças de diferentes igrejas em ajudar o presidente.

— Não vejo nenhum problema. Eu ajudarei, se for convocado. Se precisar, eu ajudo com alegria — disse Silas Câmara, ressaltando que apoiará “como deputado federal”.

Samuel Câmara, por sua vez, também se disse disposto a ajudar Bolsonaro na criação do partido, mas deixou claro que os evangélicos “jamais perfilarão em um só partido”. Com tom menos efusivo, Samuel diz que qualquer gesto não significará apoio incondicional ao governo ou ao presidente.

— A igreja é também um grupo social que tem vontade política. E, no quebra-cabeça de hoje, as pessoas que gostam do Bolsonaro vão acompanhar isso. E elas estão dentro da nossa igreja. Então, não criaríamos dificuldade. Mas não faria disso uma bandeira (política).

Talibã brasileiro

Um dos pilares do Aliança pelo Brasil é justamente o discurso conservador religioso. Em seu estatuto combate a qualquer ideologia que busque “o desvirtuamento de sua condição natural e da formação de sua personalidade”; e a defesa do direito da família e seus filhos “segundo suas próprias convicções morais e religiosas”.

Se Bolsonaro conseguir mesmo fundar o partido e dependendo o peso parlamentar que ele tenha a pauta conservadora ganhará muito força dentro do governo.

Uma analogia com o Talibã, que governou o Afeganistão entre 1996 a 2001, não é tão exagerada. O regime ditadorial religioso imposto pelos “Mullah” combatia todas as liberdades de que eram consideradas prejudiciais pelo regime.

O primeiro alvo foram as artes, com forte censura e até destruíção de estátuas de Buda de 1500 anos de idade. Livros, música e filmes foram censurados pois eram considerados propagadores de “pornografia” (Bolsonaro já deu um discurso bem parecido). Mulheres não podiam sair à rua desacompanhadas, não podiam estudar. Previsão do tempo foi proibida e até empinar pipa era vetado pois era considerado “perda de tempo”.

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