Fornecedora do governo é ligada a canal que defendeu intervenção militar

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O governo federal pagou R$ 350,7 mil, entre 2019 e 2020, a uma empresa de São Paulo ligada ao canal no YouTube “Intervencionistas do Brasil”, que defende o presidente Jair Bolsonaro e a intervenção militar no país. 

O valor é relativo à contratação de equipamentos por órgãos do Exército, da Aeronáutica e ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo a dona, a empresa é administrada por seu filho, um empresário que, nos últimos anos, vem publicando vídeos com incentivos a uma intervenção e com ataques a instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A “empresa” que fornece insumos industriais para o governo federal tem sua “sede” em um imóvel residencial no subúrbio de Campinas. Em seu maior contrato, no valor de R$ 181.400,00 ela forneceu mantas de chumbo puro para instalações e laboratórios que operam equipamentos de material radioativo. Algo que, devido a natureza específica do material, não tem condições de ser confeccionado na sede da empresa.

Só isso já seria um problema se não houvesse outro. A empresa é ligada ao canal “Intervencionaista do Brasil”, a Geratek, que na Receita Federal está registrada como comércio atacadista e está em nome de Edineide de Fátima Vasques Brito, mãe de Tiago Vasques Brito que é o youtuber golpista.

“Não respondo, não. Tem que ser com o Tiago mesmo. Eu sou a dona, mas é ele que mexe com as coisas. (Ele toma conta) de tudo. É ele que toma conta pra mim” explicou Edineide que serve de laranja para o filho.

A empresa que fornece insumos ao governo federal e o canal do youtube tem o mesmo email, que a propósito é de uma loja de artigos esportivos – pipemastersurf@gmail.com.

O “Intervencionistas do Brasil” faz parte do grupo de canais que divulgam ataques a autoridades pagos por empresas estatais. Segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação (LAI), o canal recebeu por 101 anúncios da Petrobras e 56 da Eletrobras. Órgãos do governo que anunciaram em sites suspeitos de divulgar ataques a instituições afirmam que não alocam a verba diretamente no site, e que a distribuição é feita por agências contratadas ou pelas plataformas digitais, por meio do processo automatizado conhecido como “mídia programática”. O anunciante, porém, tem poder de vetar sites indesejados.

Em diversas publicações, o canal “Intervencionistas do Brasil” faz críticas diretas a membros do STF e defende o fechamento da Corte e do Congresso. Em um vídeo divulgado no dia 1º de junho, Brito chamou Alexandre de Moraes de “crápula”.

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