O vexame brasileiro na ONU

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O discurso do Brasil na abertura da 46ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), realizado remotamente nesta segunda-feira foi um verdadeiro mico. Pena que não dá pra dizer que é vergonha alheia, porque é de todo o país. O país ficou isolado em uma narrativa retrógrada e negacionista.

Bolsonaro elegeu dois de seus ministros mais defensores das pautas ideológicas: Damares Alves, Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores. Ambos praticamente ignoraram a pauta principal do encontro: a pandemia.

Enquanto Damares defendeu a pauta da família, contra a autonomia da mulher sobre seu corpo, afirmando que o Brasil defende a vida desde a sua concepção, Ernesto Araújo fez uma infundada comparação entre liberdade individual e saúde. Ele afirmou que as sociedades estão se “acostumando à ideia de que a liberdade pode ser sacrificada em nome da saúde”, criticando as medidas de isolamento social adotadas pela maior parte dos países para evitar a propagação do vírus.

O chanceler brasileiro, em um verdadeiro delírio, afirmou que, para ele, a grande ameaça hoje no mundo não é a Covid-19, mas o “tecnototalitarismo”. Não mencionou o número de vítimas da pandemia no país, nem se solidarizou com elas.

Sobre o aumento dos casos de violência contra a mulher no Brasil, Damares limitou-se a dizer que, em 2020, o governo brasileiro executou “o maior orçamento para a área dos últimos cinco anos, com investimento cinco vezes maior do que o de 2018”. O orçamento foi de R$ 2 milhões. Não mencionou, entretanto, que durante os meses de março e junho de 2020, houve um aumento de 16% no número de feminicídios no Brasil, em comparação a igual período do ano anterior.

Por fim, Damares, além de dizer que o governo federal não está cuidando apenas da população, mas também da Amazônia, também distorceu as medidas do governo em apoio às populações mais vulneráveis à pandemia, como idosos e indígenas. A ministra afirmou que o governo garantiu a vacinação prioritária da população idosa, realizada em paralelo com a dos profissionais de saúde e dos povos tradicionais.

Mas, enquanto o país não tem data para concluir a vacinação sequer de grupos prioritários, a sociedade civil precisou recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir a proteção das populações tradicionais, como indígenas e quilombolas.

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