Veja o que já aconteceu na crise do PSL

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Em apenas 10 dias uma crise, que culminou na disputa da liderança do PSL na Câmara dos Deputados, rachou o partido, expôs, ainda mais o presidente ao ridículo, prejudicou o pouco que existia de governabilidade e sepultou, de vez, qualquer liturgia que ainda existia de Bolosonaro pelo cargo máximo do Executivo. Abaixo um resumo de todos os passos dessa crise.

Pré-crise

Tudo começa com as denúncias das candidaturas laranjas do PSL nas eleições de 2018. São dois os protagonistas. Bebianno, de Pernambuco, que foi ministro e depois afastado pelo presidente e acabou abrindo espaço para Luciano Bivar assumir a presidencia do PSL. O segundo envolvido é o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, que foi denunciado pelo Ministério Público, por organizar o esquema de laranjas em Minas Gerais. No depoimento de um ex-assessor de Antonio surge um planilha que sugere que o dinheiro do esquema pode ter abstecido, por meio de caixa 2, a campanha de Bolsonaro. É o estopim da crise.

Dia 08/10

Para um apoiador, Bolsonaro diz, que Luciano Bivar, presidente do PSL, estava “queimado pra caramba”. “Esquece o PSL, esquece o PSL, tá OK?”, cochichou Bolsonaro no ouvido do apoiador.

Dia 09/10

No dia seguinte, Bolsonaro disse a pessoas próximas que estuda soluções jurídicas para sair do PSL e levar consigo deputados aliados sem que eles percam o mandato.

A noite Bolsonaro tentou minimizar a crise dizendo que: “por enquanto, eu continuo. Não tem crise. Briga de marido e mulher, de vez em quando, acontece. Tudo bem. O problema não é meu, o pessoal quer um partido diferente, atuante. Este partido está estagnado. Não tem crise, não tem o que alimentar. Não tem confusão nenhuma”.

No mesmo dia um grupo de 20 deputados do PSL assinam um texto intitulado “Nota de apoio ao presidente Jair Bolsonaro”. O documento assinado pelos pesselistas Major Vitor Hugo (GO), Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP), Hélio Negão (RJ), Bibo Nunes (RS) e Eduardo Bolsonaro (SP), irrita uma parte dos outros deputados do partido.

Dia 11/10

Bolsonaro e mais 21 deputados encaminham um pedido à direção do PSL para que forneça a prestação de contas do partido. A inteção é realizar uma auditoria externa. Em resposta a direção do PSL decidiu pedir auditoria nas contas da campanha presidencial do ano passado. Nas palavras de um integrante do PSL, foi iniciado um processo que deixará “as vísceras do partido expostas”.

Dia 14/10

De olho na disputa de 2020 e em busca de controle do Fundo Eleitoral e Partidário do PSL, que no ano que vem alcançará R$ 350 milhões. Eduardo e Flávio Bolsonaro, presidentes dos diretórios do PSL de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, tentam bancar os bombeiros e buscar uma solução para evitar que o pai saia do partido.

Dia 15/10

Se havia alguma chance de mediação ela se foi nesse dia. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e aprensção em endereços ligados a Luciano Bivar. A defesa do presidente do partido disse que a ação é ”  vista com muita estranheza pelo escritório, principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política.”

Auxiliares do presidente disseram que a inteção é usar a operação como justa causa para a desfiliação dos deputados fieis a Bolsonaro e, com isso, evitar que eles percam os mandatos.

Dia 16/10

A “Guerra de Líderes”. Nunca antes na história desse país um presidente atuou para eleger o líder de seu partido, e perdeu. Foram ao todo 3 listas de deputados. Uma retirava o líder atual, Delegado Waldir (PSL/GO) em favor do filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL/SP). Logo após veio outra lista, quer retirava Eduardo e recolocava Waldir. Uma terceira lista surgiu para re-retira Waltir e re-recolocar Eduardo. O impasse só foi resolvido pela assessoria da Câmara que conferiu as assinaturas e concluiu que a lista que mantinha o Delegado Waldir no cargo tinha mais assinaturas. Bolsonaro é derrotado pelo próprio partido.

Dia 17/10

Dois áudios são vazados para a imprensa. Um deles é do presidente Bolsonaro pedindo para um deputado assinar a lista de apoio de seu filho, Eduardo, para a liderança do partido.

“Olha só, nós estamos com 26, falta só uma assinatura pra gente tirar o líder, tá certo, e botar o outro. E gente acerta, e entrando o outro agora, em dezembro tem eleições para o futuro líder a partir do ano que vem”, afirma o presidente.

Em outro áudio, Delegado Waldir chama Bolsonaro de “vagabundo” e diz que vai implodir o presidente”.

“Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a gravação. Não tem conversa. Não tem conversa. Eu implodo o presidente”, diz Waldir.

No decorrer do dia, Luciano Bivar destituiu Eduardo Bolsonaro do comando do PSL de São Paulo e Flávio Bolsonaro do comando do partido no Rio de Janeiro. Também removeu Bia Kicis do diretório do Distrito Federal. Em retaliação, Bolsonaro tirou Joice Hasselmann (SP) da liderança do governo no Congresso.

Dia 18/10

Nesta sexta (18), durante uma convenção extraordinária do PSL foi definida a suspensão das atividades partidárias de Carlos Jordy (RJ), Alê Silva (MG), Bibo Nunes (RS), Carla Zambelli (SP) e Filipe Barros (PR). Eles não poderão representar o PSL em nenhuma atividades da Câmara, incluindo a votação para líder da bancada.

Também nesta sexta (18), Joice Hasselmann disse que Eduardo Bolsonaro é um menino que não consegue nada sozinho. Em retaliação, o deputado postou uma montagem nas redes sociais com uma nota de R$ 3 e uma foto de Joice, sugerindo que ela seria falsa. Joice, por sua vez, publicou em seu perfil no Twitter uma mensagem dizendo que não tem medo de milícia. “E não se esqueçam que eu sei quem vocês são e o que fizeram no verão passado”, escreveu a deputada.

Pela primeira vez na história um partido entra com o pedido de cassação de um deputado de seu partido no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O PSL entrou com uma representação contra o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que gravou de forma clandestina reunião de parlamentares da legenda coordenada pelo deputado Delegado Waldir (PSL-GO), líder da bancada.

21/10

O grupo de Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) protocolou uma nova lista de assinaturas para indicá-lo como líder do partido na Câmara dos Deputados. A lista, apresentada pelo líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL/GO) tem 29 assinaturas, que ainda precisam ser conferidas.

Quatro deputados “mudaram de lado” e passaram a apoiar Eduardo Bolsonaro. Daniel Freitas (RJ), Eneias Reis (MG), Leo Motta (MG) e Marcelo Brum (RS).

Porém, antes do trâmite burocrático, o atual líder, delegado Waldir (PSL/GO), se antecipou e abriu mão de liderança do partido.

28/10

Mesmo fora do país, Bolsonaro está há quase uma semana em viagem internacional pela Ásia e Oriente Médio, o presidente continua colocando gasolina na crise do PSL. “O ideal agora é como se fossem gêmeos xifópagos [ligados entre si por uma parte do corpo]. Precisa separar. Cada um segue seu destino”, disse Bolsonaro em Abu Dhabi.

Bolsonaro ainda defendeu que o melhor seria criar um novo partido. Segundo ele, um bom nome para a agremiação seria Partido da Defesa Nacional ou PDN. “É um nome bonito, né? Tem que ser um nome que agregue”, disse.

30/10

Bolsonaro e mais 23 deputados pedem a Procuradoria-geral da República, bloqueio de fundo pe artidário do PSL e afastamento de Bivar. Os autores do pedido citam que o fundo partidário é composto de recursos públicos e só em 2019 o PSL terá direito a aproximadamente R$ 110 milhões. “Com isso, calha a responsabilidade de rigoroso acompanhamento das despesas do partido não somente pela Justiça Eleitoral”, diz o documento.

31/10

O presidente do PSL, Luciano Bivar, afirmou em entrevista que “nem passa pela cabeça” expulsar o presidente Jair Bolsonaro do partido. “Não. Eu acho que seria uma violência e é muito ruim para o país. Isso nem passa pela cabeça porque ele é o presidente, é meu presidente, é seu presidente. Eu acho que tem que se ter um respeito à liturgia, por mais terrível que seja”, afirmou Bivar.

Efeitos da crise (até agora)

O MDB ficou mais forte. Com a indicação de Bolsonaro do senador Eduardo Gomes (MDB-TO) como novo líder do governo no Congresso, o partido com isso reforça seu espaço no governo onde já tinha a liderança do governo no Senado e um Ministério (Cidadania).

A equipe economica reconhece, reservadamente, que a crise pode afetar a governabilidade e dificultar a tramitação de matérias da agenda econômica na Câmara e no Senado.

Apesar de Bolsonaro negar publicamente, a indicação de seu filho Eduardo para a embaixada brasileira em Washington está praticamente enterrada.

No Congresso Nacional, o clima é de perplexidade com os desdobramentos da crise no PSL. No partido, a avaliação é de que, ao não respeitar a liturgia do cargo e não se manter distante da disputa, Bolsonaro foi para a vala comum, passando a sofrer todo tipo de ataque.

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